Uma atualização da Organização Mundial da Saúde destaca que solidão e isolamento social são fatores importantes de risco para o sofrimento psíquico na velhice. A qualidade dos vínculos, as condições de moradia e a participação comunitária fazem parte desse cenário.
Segundo a OMS, aproximadamente 15% dos adultos com 70 anos ou mais vivem com algum transtorno mental. O documento também chama atenção para situações de abuso, frequentemente praticadas por pessoas responsáveis pelo cuidado.
Envelhecer não equivale a adoecer mentalmente. O cuidado exige combater preconceitos, preservar autonomia e criar condições para que a pessoa idosa continue participando das decisões sobre a própria vida.
Para a psicanálise, escutar a experiência singular do envelhecimento ajuda a evitar que perdas, desejos e conflitos sejam reduzidos a uma explicação puramente biológica.
O que essa notícia ajuda a compreender
Solidão e isolamento não são sinônimos. Uma pessoa pode morar sozinha e manter vínculos significativos, enquanto outra pode viver cercada de gente e ainda assim sentir que não encontra espaço para falar e ser reconhecida. Essa diferença importa na hora de compreender o sofrimento.
Mudanças de rotina, aposentadoria, lutos, limitações físicas e transformações familiares podem reorganizar a vida psíquica. Nenhum desses acontecimentos produz o mesmo efeito em todas as pessoas. A escuta precisa considerar trajetória, desejo, recursos disponíveis e o lugar que o envelhecimento ocupa naquela história.
Políticas de convivência, acesso à cultura, transporte, moradia segura e apoio a cuidadores também fazem parte da prevenção. O cuidado responsável evita infantilizar a pessoa idosa e preserva sua participação nas decisões, inclusive quando ela precisa de apoio mais frequente.
A fonte orienta a apuração; o texto é original do CNBRASIL.
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